Em outros tempos quando você era pobre
Eu também não era nobre, era o que ainda sou
Só você teve sorte, enriqueceu
Por isso, agora esqueceu quem antes te agasalhou

Eu não quero seu dinheiro
Eu vivo bem pobrezinho
Eu só quero é que recordes
Que já foi meu, seu carinho

Hoje encoberta de ouro
Você cobre o corpo todo
E negas pra toda gente
Que o seu passado foi lodo

Ainda muda de calçada
Quando me encontra na rua
Fingindo não ser aquela
Boêmia amiga da lua

Não contarei
Que o seu passado foi lama
E nem que na mesma cama
Nos meus braços, adormeceu

Não, eu não relevo seu nome
E não contarei ao homem
Que escolheste, agora é seu

A vida é duas escadas, uma sobe, a outra desce
Você subiu, teve sorte, eu fiquei, você esquece
Se um dia, por acaso, desceres a outra escada
Aí verás que a coberta de ouro não vale nada

Se 'acauso isto acontecer
Seu ouro, fugir da mão
Me procure que eu reparto
Com você, meu pobre pão

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