As loucas de maio sonham com seus filhos
Nos braços, corados, sadios
Nos portos, aeroportos, estações, porões
Nas praças, nas janelas, nos becos
Nas vielas, em casa arrumando o quarto
Se preparando pra um outro parto
Elas sempre estarão lá
As loucas de maio, janeiro, fevereiro
As loucas que as vezes são loucas de
Todos os meses
De todos os anos, do tempo inteiro
Que sempre estarão lá
Elas sempre estiveram
Todos os lugares
Porque agora não haveriam de estar
Elas precisam estar lá
As loucas de maio, as loucas daqui
As loucas do mundo inteiro se parecem
Elas nunca esquecem
Pode anotar
Elas sempre estarão lá
Essas loucas de maio
Que tem os joelhos inchados pelas novenas
E que tem as mãos o cheias de unguento
Precisam vencer o tempo
Elas precisam estar lá
Elas sempre estarão lá
Elas querem remendar a alma
Elas querem costurar as feridas
Elas querem dar sentido a vida
Elas querem os meninos com guitarras
Cada uma quer bordar o nome do filho
Numa camisa, na brisa
E depois tirar um cochilo
Por isso elas sempre estarão lá
Elas precisam estar lá
Elas não podem deixar de sonhar
Porque é impossível deixar de sonhar
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